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Línguas ameaçadas no Brasil

O Brasil foi descoberto em 1500. O lingüista Aryon Rodrigues estima que, nos últimos 500 anos, 75% das línguas indígenas faladas na época do descobrimento desapareceram. Isto aconteceu de duas maneiras: através da assimilação de grupos indígenas pela "cultura nacional" em expansão, o que causou um deslocamento de linguagem, e através da dizimação das populações indígenas provocada por doenças ou pela violência. Os primeiros grupos afetados foram aqueles que viviam ao longo da costa marítima ou ao longo dos rios, uma vez que estas foram as primeiras áreas colonizadas pelos imigrantes. Os indígenas do nordeste vivem neste tipo de ambiente. Entretanto, a cultura nacional continua a se espalhar mais e mais para o interior, trazendo com isto a ameaça de extinção de mais línguas indígenas.

As línguas de grupos vivendo na Amazônia são especialmente vulneráveis, porque elas tendem a ser faladas por pequenas populações. Quase um terço das línguas indígenas do Brasil, das quais existem cerca de 180, tem menos de 100 pessoas que as falam e 110 têm 400 falantes ou menos.

Um dos maiores assassinos de populações indígenas tem sido as epidemias de sarampo, como aconteceu entre os Nambikuara. Conflitos com os não-índios têm reduzido ainda mais estas populações. Em ambas as situações os "falantes" de uma dada língua, que conseguem sobreviver, têm sofrido perdas que vão além da perda de sua língua. Nos anos mais recentes, campanhas de vacinação deflagradas pelo governo brasileiro têm reduzido o risco de dizimação das populações indígenas pelas epidemias e espera-se que o progresso em direção à demarcação das terras indígenas reduza o risco de conflitos com os não-indígenas.

O deslocamento de linguagem é um processo que tem ocorrido através da História; ele é acelerado quando um número muito grande de falantes de uma língua entra regularmente em contato com pequenos grupos indígenas. O deslocamento é agravado, em parte, pela atitude da maioria da população que considera as línguas indígenas inferiores de alguma maneira. O processo de deslocamento de línguas acontece gradualmente, inicia-se nas áreas mais superficiais da vida e vai até as de geração de cultura, tais como no governo e nos locais de trabalho; movendo-se mais extremamente até que a língua indígena não é mais falada na escola, em casa e, finalmente, entre os mais idosos. A cada passo do deslocamento da linguagem, torna-se cada vez mais difícil reverter o processo de perda da língua tradicional. lnfelizmente, às vezes, os grupos lingüísticos lamentam a perda de seu idioma somente depois que ela atingiu um ponto em que é (quase) impossível reverter o processo.

Através do estudo das línguas indígenas e da ênfase à educação bilíngüe-intercultural, membros da SIL têm ajudado a reforçar, positivamente, atitudes de grupos indígenas em direção às suas línguas. Aprendendo a se concentrar na sua língua, ao invés de tão somente falá-la, os falantes de uma língua ameaçada se tornam mais preparados a assumir uma atitude pro-ativa na manutenção do idioma. Por exemplo, leia o que aconteceu entre os Nambikuara.

Do ponto de vista científico, cada língua que se torna extinta, sem qualquer documentação, reduz o potencial de compreensão da natureza da língua, em geral e, especificamente, da história das línguas da América do Sul. Trabalhos de pesquisa tais como os de Ofaié ajudam a preservar, para o mundo científico, o que de outra forma estaria completamente perdido pela morte do último dos falantes de determinada língua. Leia o artigo escrito por Dan Everett (em Inglês): From Threatened Languages to Threatened Lives.

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Aproximadamente 38% das línguas da América do Sul são consideradas "ameaçadas" porque são grupos pequenos com a população de 600 pessoas ou menos. Usando este critério, são 133 línguas ameaçadas no Brasil. Destas, 105   têm uma população de 225 ou menos.

Fonte: Mary Ruth Wise, 1994.

Para maiores informações, veja a seção sobre línguas ameaçadas (em Inglês) no web site do SIL International.

 

http://www.sil.org/americas/brasil/indglang/portdglg.htm
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