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Xavante

Dados básicos
    Nome: Xavante
    Nomes Alternativos: Xavánte, Shavante, Chavante
    Auto-Denominação: A’uwẽ
    Classificação lingüística: Macro-Gê, Gê, Agrupamento Akwén, Xavante
    População: 10.000
    Local: Na parte leste do Mato Grosso, 60 aldeias

Sobre os Xavante

Os Xavante são um povo forte e orgulhoso, tendo a reputação de serem muito agressivos e guerreiros. A primeira tentativa de pacificar os Xavante ocorreu no século 19, quando o governador da província de Goiás arrebanhou muitos Xavantes naquela área e os instalou num grupo de aldeias oficiais com outros grupos tribais e não-indígenas. Eles não se conformaram com a perspectiva de ficarem ali por muito tempo, e eventualmente fugiram de volta para a selva. Eles permaneceram relativamente inacessíveis até à década de 40 e 50. Até fins dos anos 50, todas as facções Xavante, que tinham migrado para o estado de Mato Grosso, tinham sido pacificadas – o último dos grandes grupos tribais no Brasil a iniciar contato regular com o mundo de fora.

A característica mais marcante da sociedade Xavante pode ser a sua feição dualista: a divisão da tribo inteira em dois clãs – âwawẽ e po'reza'õno. Permite-se o casamento somente entre membros de clãs opostos. Algumas outras caraterísticas distintas da cultura Xavante incluem os longos e complexos ritos de iniciação para meninos, culminando na cerimônia de furar a orelha – na qual pequenos paus são inseridos no lóbulo das orelhas dos iniciados. Estes paus são usados – e em tamanhos progressivamente maiores – durante o resto das vidas deles. Os Xavante são famosos também pelas suas corridas de troncos de árvore, onde os dois clãs competem numa espécie de corrida de revezamento, carregando por alguns kilômetros  troncos de buriti que pesam até 80 kilogramas. As mulheres tecem um tipo de cesta incrivelmente forte, a qual elas usam para carregar os nenês recém-nascidos. A ampla alça da cesta passa pela testa da mulher, enquanto a cesta fica deitada nas costas dela, deixando livre assim, as mãos para outros trabalhos.

Uma aldeia tradicional é construída com as casas dispostas em forma de ferradura de cavalo, dando-se o seu lado aberto para o rio. O domínio da mulher é a casa, cujo abertura sempre dá para o centro da aldeia. O domínio do homem é o lugar de reuniões no centro da aldeia, onde são tomadas todas as decisões importantes no conselho diário dos homens.

A língua Xavante contém 13 consoantes e 13 vogais – das quais quatro são nasais. Termos de honra e carinho são usados com referência a outros, como os parentes por afinidade e os netos. Muitos destes relacionamentos chaves são atualmente refletidos na gramática da língua. Por exemplo, ao falar diretamente ao genro, um homem usará a forma gramática indireta (terceira pessoa) em vez das formas da segunda pessoa. (Para saber mais sobre este assunto, veja a publicação neste site com o título Xavante Morphology and Respect/Intimacy Relationships (em Inglês, 312 kB).)

Histórias Antigas do Povo Xavante (201 kB)

Burgess, Eunice, 1971, Duas Análises das Sílabas do Xavante (117 kB) Estudos Sobre Líguas e Culturas Indígenas: 96-102.

———, 1987, Foco e Tópico em Xavante (194 kB), Série Lingüística Nº 9, Vol. 1: 11-38.

Hall, Joan, 1979, Os Sistemas Fonológicos e Gráficos Xavante e Português (462 kB), Sociedade Internacional de Lingüística, Cuiabá, MT.

Hall, Joan, Ruth McLeod e Valerie Mitchell, 1987, Pequeno Dicionário: Xavante-Português, Português-Xavante (779 kB), Sociedade Internacional de Lingüística, Cuiabá, MT.

McLeod, Ruth, 1974, Fonemas Xavante (128 kB), Série Lingüística Nº 3: 131-152.

McLeod, Ruth & Valerie Mitchell, 2003, Aspectos da Língua Xavante (355 kB), SIL publications, Cuiabá, MT. (Versão com exemplos de som. Aviso: arquivo com 4459 kB)

 

http://www.sil.org/americas/brasil/langpage/portxvpg.htm
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