In English

Página Principal

Grupos Indígenas
Apalai
Apinayé
Apurinã
Arara do Pará
Asurini do Tocantins
Asurini do Xingu
Atroari
Banawá
Bororo

Caiuá
Canela
Cinta Larga
Deni
Fulniô
Guajajara
Guarani-Mbyá
Hixkaryana
Hupda
Ikpeng
Jamamadi

Jarawara
Juma
Kaapor
Kadiwéu
Kaingang
Kamayurá
Karajá
Karipuna do Amapá
Karitiana
Kaxarari

Kayabi
Kayapó
Krahô
Kuikuro
Kurâ-Bakairi

Mamaindé
Maxakali
Munduruku
Nadëb
Nambikuara
Palikur
Parakanã
Paresi
Paumari
Pirahã
Rikbaktsa
Sateré-Mawé
Suruí do Pará

Suruí de Rondônia
Suyá
Tenharim
Terena

Waiãpi
Waurá
Xavante
Xokleng
Yanomami Waicá Central
Yuhup

Mapa

SIL Internacional

Estrutura do Site

Pirahã

Dados básicos
    Nome: Pirahã
    Nomes alternativos: Múra-Pirahã
    Classificação lingüística: Mura
    População: 360 (ISA-2000)
    Local: Amazonas, nos rios Maici e Autaces

Sobre os Pirahã

A língua pirahã tem sido chamada tradicionalmente de mura-pirahã (Everett, 1986). Esta designação obscurece a distinção entre a família lingüística mura e as línguas mura e pirahã. A família mura não tem outros afiliados externos; ela inclui a língua pirahã e mais três línguas já extintas: Matanavi, Bohura e Yahahi (Everett, 1986).

Existem entre nove e quinze aldeias do povo pirahã ao longo do Rio Maici. Na época da seca, quando o rio está baixo e aparecem praias, os pirahã se dividem em grupos pequenos, fazendo assim mais aldeias. Cada aldeia tem entre quinze e 40 pessoas, dependendo da época do ano. Na época da seca há menos pessoas, e na época da chuva há mais.

As aldeias são compostas de duas a três famílias. Uma família consiste em pai, mãe, e filhos. Uma criança pode ou não continuar a viver com seus pais depois dos três anos de idade. A maioria das aldeias grandes tem uma subcultura de crianças, de três a catorze anos, que moram juntas e cuidam umas das outras. Estas crianças geralmente vêm de lares em que os pais têm se separado e casado com outros.

As moradias duma aldeia ficam muito próximas umas das outra, e também as ligações sociais entre seus membros são muito fortes. Todos os membros sabem tudo sobre as vidas dos outros e todos são considerados irmãos íntimos uns dos outros. O fato das casas ficarem muito próximas umas das outras e de não existirem muros entre elas faz com que a vida de cada membro da aldeia seja um livro aberto. Nada pode ser escondido de ninguém. O conceito de vida privada é completamente desconhecido para eles.

Everett, Daniel L., From Threatened Languages to Threatened Lives (em Inglês)

Sheldon, Steven N., 1988, Os Sufixos Verbais Múra-Pirahã (149 kB), Série Lingüística Nº 9, Vol. 2: 147-175.

A língua Pirahã desafia a aplicação simplista da teoria de Hockett (1960) – quase universalmente aceita – sobre os ‘traços básicos da linguagem humana’, pois mostra que alguns destes traços (permutabilidade, deslocamento e produtividade) podem ser culturalmente constrangidos. Nota-se, em particular, que a cultura Pirahã restringe a comunicação verbal ao âmbito de assuntos não-abstratos que cabem dentro da experiência imediata dos interlocutores.

Tal constrangimento explica algumas caraterística bem surpreendentes da gramática e cultura dos Pirahã, quais sejam:<

(i) a ausência de ficção e de mitos de origem;

(ii) o sistema de parentesco mais rudimentar já documentado;

(iii) a ausência de números e de qualquer conceito de contagem;

(iv) a ausência de termos referentes a cores;

(v) a ausência de qualquer encaixamento gramatical;

(vi) a ausência de ‘tempos relativos’;

(vii) o emprêstimo do inventário pronominal inteiro da família lingüística Tupi;

(viii) o fato de serem monolíngües os Pirahã após mais de 200 anos de contato relativamente constante com brasileiros e com falantes da língua Kawahiva, da familia lingüistica Tupi-Guarani;

(ix) a ausência de qualquer memória individual ou coletiva que remonte a mais de duas gerações passadas;

(x) a ausência de desenhos e de outras artes plásticas, sendo a cultura material dos Pirahã uma das mais elementares já documentadas;

(xi) a ausência de qualquer termo de quantificação, p.ex., ‘todos’, ‘cada’, ‘a maioria’, ‘alguns’, etc.

Para mais informações, veja Cultural Constraints on Grammar and Cognition in Pirahã (em inglês; reproduzido aqui com a permissão do autor).

http://www.sil.org/americas/brasil/langpage/portphpg.htm
Copyright 2007 SIL International. Todos os direitos reservados.